Tática de estudar nomeada ‘brain rot’ gera debates sobre impactos no aprendizado dos jovens

O termo “brain rot”, que descreve a deterioração mental causada pelo consumo excessivo de conteúdo superficial online, foi eleito o “termo do ano” de 2024 pela Universidade de Oxford. Enquanto estudantes recorrem a plataformas que transformam textos em vídeos com estímulos visuais para estudar, especialistas alertam sobre os efeitos negativos dessa prática, que pode comprometer a retenção de conteúdo e o desenvolvimento cognitivo.
O termo em questão é resultado de ficar vários minutos passando pelo feed das redes sociais, esses minutos viram horas e quando se dá conta do tempo perdido com conteúdos considerados triviais ou pouco desafiadores sem a retenção de algo didático, sente-se um vazio existencial. Isso é o “brain rot”.
Alunos estão transformando textos acadêmicos em narrativas mais simples, trazendo com elas imagens consideradas visualmente estimulantes, mas frequentemente elas não tem ligação direta e lógica com o conteúdo. Mostrando semelhança com muito do material encontrado na rede social “Tiktok”.
A busca pela dopamina, hormônio considerado um dos responsáveis pela felicidade, por meio desses vídeos estimulantes. Portanto, especialistas afirmam que essa prática pode trazer consequências ruins para a saúde mental.
Esse método de estudo, não possui garantia de um aprendizado a longo prazo. Anotar e resolver exercícios de forma manual são exemplos de atividades que são provadamente formas de consolidar conhecimentos, porém, com as novas práticas, acabam sendo menosprezadas, resultando em um aprendizado superficial.
O consumo excessivo de conteúdos visuais rápidos pode levar a uma sobrecarga cognitiva nos estudantes, dificultando a retenção de informações e afetando o hábito de leitura. Com o tempo, essa prática contribui para a perda do gosto pela leitura e a dificuldade de análise crítica. Esses impactos cognitivos do “brain rot” já foram abordados na Coluna Olhar do Amanhã em dezembro do ano passado, destacando como esse comportamento pode prejudicar o aprendizado a longo prazo.
Alguns jovens relatam usar esses vídeos considerados “instigantes” para substituir a leitura tradicional. Estudiosos sobre o assunto afirmam que o método pode ser efetivo e útil, mas o uso excessivo ou inadequado pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo. Professores e especialistas podem começar a abrir espaço para a discussão sobre o tome com os alunos, a fim de chegar a um resultado equilibrado e efetivo.
Por: João Pena
Foto: Arquivo Portal Onbus