PF deflagra nova fase da operação Outside e investiga esquema de R$ 1,4 bilhão em fraudes e corrupção

Nesta quinta-feira (03), a Polícia Federal deflagrou uma nova etapa da Operação Outside, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida em fraudes em licitações, desvios de fundos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que o esquema movimentou aproximadamente R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas.

Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e uma ordem de afastamento cautelar de um servidor público de Belo Horizonte (MG), expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ações ocorreram em Salvador (BA), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Aracaju (SE). Os crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça.

A operação teve origem na investigação de desvios de recursos de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). O foco recaiu sobre o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, por sua atuação no setor de limpeza urbana na Bahia e sua proximidade com políticos para facilitar contratos públicos. Segundo as investigações, a organização criminosa pagava propina a funcionários públicos para garantir contratos em todo o país.

Na fase anterior da operação, realizada em dezembro, foram expedidos mandados de prisão preventiva contra um vice-prefeito e um secretário municipal das cidades de Vitória da Conquista (BA) e Lauro de Freitas (BA), além de um agente da Polícia Federal.

José Marcos de Moura, que integra a executiva nacional do partido União Brasil, foi preso preventivamente junto com outras 16 pessoas na primeira etapa da operação. No entanto, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou sua soltura. Segundo a PF, Moura atuava como “articulador político e agente de influência” dentro do esquema criminoso.

“Ele utiliza sua rede de contatos e influência política para interceder junto a autoridades, protegendo os interesses da organização, facilitando o andamento de contratos e o desbloqueio de pagamentos. Moura é uma figura-chave que conecta os líderes da organização com figuras políticas de relevância, garantindo que os esquemas de fraude continuem operando sem interrupções. Denota-se, inclusive por outras conversas analisadas, que Marcos Moura é uma espécie de articulador de relevância para o grupo criminoso e que tem preponderância nas decisões das secretarias e em outras cidades”, informou a PF em um relatório encaminhado ao Judiciário.

Durante as investigações, o nome do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA) foi mencionado, o que levou a Polícia Federal a encaminhar o caso ao STF. No cofre de Marcos Moura, foi encontrada uma escritura de compra e venda de um imóvel pertencente a uma empresa para Elmar.

Por: Carolina Sepúlveda 

Foto: Reprodução/ Polícia Federal                                 

PF deflagra nova fase da operação Outside e investiga esquema de R$ 1,4 bilhão em fraudes e corrupção