Trabalho de escravizados no reflorestamento da Floresta da Tijuca recebe reconhecimento oficial

O Parque Nacional da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do mundo, não é apenas um patrimônio natural, mas o resultado do primeiro grande projeto de reflorestamento da história do Brasil. Essa recuperação ambiental, iniciada em 1862, só foi possível graças ao trabalho de 11 pessoas escravizadas, que agora recebem um reconhecimento oficial.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou por unanimidade o projeto da deputada estadual Dani Monteiro (PSOL) que inclui esses trabalhadores no “Livro dos Heróis e Heroínas do Estado do Rio de Janeiro”. Para viabilizar a homenagem, foi necessária uma emenda permitindo a inclusão de nomes sem sobrenome, já que, na época, pessoas escravizadas não tinham registros completos.
Os homenageados são Eleutério, Constantino, Manoel, Mateus, Leopoldo, Maria, Sabino, Macário, Clemente, Antônio e Francisco. Seu trabalho foi essencial para restaurar a floresta e evitar uma crise de desabastecimento hídrico no Rio de Janeiro.
O livro dos heróis e heroínas do estado, que já homenageia figuras como Tiradentes, Dom Helder Câmara e Nise da Silveira, não tem uma versão impressa, sendo um reconhecimento simbólico da contribuição dessas personalidades para a história fluminense.
Por: Carolina Sepúlveda
Foto: Reprodução TV Globo