Crise no Inca: falta de medicamentos e insumos básicos afeta pacientes

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), referência no tratamento oncológico no Brasil, está enfrentando um crise no abastecimento de medicamentos e insumos básicos desde janeiro deste ano. Essa escassez está esultando em atrasos nas altas hospitalares, dificultando a liberação de leitos e, em alguns casos, ameaçando a saúde dos pacientes, de acordo com os profissionais de saúde.
Faltam medicamentos para o controle de sintomas e aplicações de doenças, como: morfina, fentanil e baclofeno, fundamentais para o controle da dor, além de antibióticos e até insulina.
Os médicos e a equipe de enfermagem não tem nem acesso a luvas cirúrgicas, cateteres e esparadrapo. Além da ausência de cateter venoso central, que compromete o suporte para pacientes em estado crítico.
Diante dessa escassez, as famílias dos pacientes estão tendo que arcar com os custos para garantir os medicamentos necessários.
“O Inca não quer comprar a medicação. Eles dizem que está em falta desde janeiro. Minha filha tem que tomar todos os dias, não pode ficar sem, pois é reposição hormonal. A saída tem sido comprar por nossa conta; são duas caixas todos os meses”, lamenta a mãe de Sayrah de 9 anos, que viaja toda semana oito horas de Macaé até o Inca, na Praça da Cruz Vermelha.
Outro caso é de Roberto Fernandes, de 62 anos, também é paciente do instituto e está em fase final de recuperação. Porém ele perdeu 40 quilos durante o tratamento e precisa de um suplemento alimentar para recuperar peso. Inicialmente, foi fácil conseguir a medicação prescrita, mas, nas últimas vezes, o idoso conseguiu apenas uma dose menor.
“Antes, a médica me receitava o suplemento de que eu precisava, e eu conseguia retirar na farmácia do instituto. Nas duas primeiras vezes, foi bem tranquilo. Mas, agora, só estou conseguindo o mais leve. Eles dizem que não têm a versão mais forte, que faria efeito mais rápido”, relata Roberto.
Por: Maria Clara Corrêa
Imagem: Divulgação