Unidos de Padre Miguel critica plenária da Liesa e aguarda decisão sobre recurso

O enredo acerca do futuro da Unidos de Padre Miguel (UPM) não se encerra. Na noite de segunda-feira, a escola emitiu uma declaração oficial, criticando uma reunião plenária promovida pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) nesta segunda-feira. Segundo a declaração, “até o momento, nossa escola não recebeu qualquer notificação oficial sobre qualquer decisão”. No último dia 18, o Boi Vermelho da Vila Vintém, que foi rebaixado à Série Ouro por discordar da avaliação dos jurados, solicitou a realização de uma Assembleia Geral na liga. Por outro lado, a entidade esclarece que o encontro desta segunda-feira discutiu o calendário do próximo carnaval. A data da plenária esperada pela UPM ainda não foi estabelecida.

A UPM entrou com recurso na Liesa contra as notas recebidas na apuração deste ano. De volta ao Grupo Especial após mais de 50 anos, a escola permaneceu apenas um carnaval na elite, segundo a classificação oficial da Quarta-Feira de Cinzas. Com a divulgação das justificativas dos jurados, a agremiação contestou a avaliação, pedindo mais transparência. A jurada de samba-enredo, Ana Paula Fernandes, justificou a nota mencionando o uso excessivo de expressões em iorubá, o que a UPM classificou como um “ato de intolerância religiosa”.

Dos 36 jurados, apenas quatro deram notas 10 ao Boi Vermelho da Vila Vintém: dois julgadores de enredo, um de mestre-sala e porta-bandeira, além de outro em evolução. A Unidos de Padre Miguel também reclamou de problemas no sistema de som durante sua apresentação.

No entanto, em uma reunião interna realizada no último dia 18, a Liesa decidiu que tanto o manual do julgador quanto o estatuto interno não permitem recursos sobre as notas atribuídas pelos jurados. Isso impactou tanto a UPM quanto a Grande Rio, que solicitavam um décimo a mais em sua pontuação final. Contudo, no mesmo dia, a agremiação de Padre Miguel apresentou um ofício ao Conselho Deliberativo da liga, pedindo a convocação de uma reunião plenária. Agora, o conselho precisa decidir se aceita ou não o pedido.

O regulamento deste ano deixa a questão em aberto, no entanto. O artigo 49, prevê ainda que “casos não previstos” e “possíveis alterações” das regras estabelecidas “serão apreciados em Reunião Plenária da Liesa e submetidos à decisão do presidente da Liesa”.

Por: Carolina Sepúlveda 

Foto:  Alexandre Cassiano