Polícia prende quadrilha de desbloqueio de celulares no Rio

Em dezembro, a Polícia Civil descobriu uma central de desbloqueio de celulares roubados no Morro do Fallet-Fogueteiro, em Santa Teresa, com nove funcionários presos por receptação e organização criminosa. Patrick Fontes Souza da Silva, de 31 anos, chefe da quadrilha, informou que transferiu a operação para a favela para escapar da fiscalização policial.
Durante a ação, foram apreendidos 200 celulares e cinco toneladas de maconha. Além de desbloquear e revender os aparelhos, os criminosos acessavam contas bancárias das vítimas para fazer compras e transferências. A investigação revelou que o grupo usava técnicas avançadas de desbloqueio, aprendidas na deep web, como softwares para modificar IMEIs e quebrar as barreiras de segurança de iPhones.
Na operação da 24ª DP (Piedade), além das cinco toneladas de maconha, foram apreendidos 200 celulares roubados em uma central. O grupo não se limitava a revender os aparelhos, após desbloqueá-los, invadiam as contas bancárias das vítimas e transferiam valores para contas de laranjas.
Em janeiro deste ano, o estado registrou 2.088 roubos de celulares, um aumento de 39% em comparação com o mesmo mês de 2024, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP). Os furtos de aparelhos atingiram o recorde histórico, com 3.620 ocorrências em janeiro de 2025, representando um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Somando roubos e furtos, foram 5.708 casos, uma média de um registro a cada oito minutos.
“Boa parte dos crimes não é notificada, principalmente os que envolvem furto e roubo de bens como celulares. Isso ocorre porque as pessoas não confiam que registrar o crime na delegacia vai resultar na recuperação do aparelho. No Rio de Janeiro, infelizmente, não há o hábito de guiar as ações com base em dados e evidências, e isso faz com que gestores e operadores da segurança ajam apenas com base na intuição. Seria interessante que o estado investisse nessas pesquisas, e não apenas em armas e viaturas”, afirma Daniel Hirata, especialista em segurança pública.
“É preciso uma política permanente, baseada em inteligência, para desarticular redes de receptação e desbloqueio de aparelhos roubados. Não há como ter um policial para cada ladrão na rua, mas é possível ter efetivo suficiente para desmontar esses esquemas. Isso, sim, pode reduzir os roubos e aumentar a confiança da população”, conclui.
Quem são os presos:
- Patrick Fontes Souza da Silva, de 31 anos – apontado pela polícia como chefe da quadrilha, tem três passagens por receptação, duas por estelionato, além de apropriação indébita, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
- Agilson Galdeano Braz, de 32 anos – três passagens por roubo, duas por receptação.
- Gustavo França de Mendonça, de 18 anos – sem antecedentes, sua primeira prisão foi nesta operação.
- Erick Lucas Carvalho Bezerra, de 29 anos – uma passagem por roubo e uma por receptação.
- Francisco Alves dos Santos, o TK, de 33 anos – uma passagem por roubo, duas por receptação.
- Jailson Miguel Barbosa de Jesus, de 26 anos – uma passagem por adulteração de sinal identificador de veículo, uma por receptação, uma por injúria e lesão corporal (Lei Maria da Penha), uma por associação criminosa, corrupção de menores e porte ilegal de arma.
- Rodrigo da Rocha Barbosa, de 31 anos – uma passagem por roubo, uma por receptação e organização criminosa, uma por lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, uma por associação criminosa, tráfico de drogas e receptação.
- Jonatha Ribeiro Bezerra, de 29 anos – uma passagem por receptação, associação criminosa e tráfico de drogas.
- Mark Jorge Fontes Guimarães, de 26 anos – uma passagem por porte ilegal de arma, associação criminosa e corrupção de menores, uma passagem por receptação, associação criminosa e tráfico de drogas.
Por: Maria Clara Corrêa
Imagem: Divulgação/Polícia Civil