PF faz operação contra lavagem de dinheiro para o PCC por fintechs
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Nesta terça-feira (25), a Polícia Federal realiza uma operação contra fintechs que lavam dinheiro por meio do Bolsa Família para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Os agentes cumpriram um mandado de prisão contra o policial civil Cyllas Salerno Elia Júnior, fundador da empresa do banco digital 2GO, bem como dez mandados de busca e apreensão.
Os mandados são cumpridos em São Paulo, Santo André e São Bernardo do Campo, e a Justiça ainda bloqueou oito contas bancárias e suspendeu as atividades das fintechs envolvidas no esquema.
A operação Hydra é mais um desdobramento da delação de Vinícius Gritzbach, que foi assassinado no Aeroporto de Guarulhos no ano passado. Elia Júnior havia sido preso no ano passado, mas foi libertado posteriormente.
O intenso entra e sai de dinheiro motivou a comunicação ao Coaf, em abril de 2023. Dentre as transações listadas no relatório, estão o recebimento de 72 transferências via Pix que totalizaram R$ 16.734 de uma conta da fintech 2GO, e o posterior envio de R$ 25.700 para esse mesmo remetente. A mesma conta fez transações com uma empregada doméstica que mora no Recife (PE). Também beneficiária do Bolsa Família, que proporciona a ela R$ 350 mensais, a mulher recebeu 68 Pix que totalizaram R$ 8.295 no período de novembro de 2023 a abril de 2024.
Além da empregada doméstica, outros beneficiários do Bolsa Família (uma auxiliar geral de Contagem (MG) e um professor de Tutoia (MA)) também receberam PIX da empresa. A fintech também fez transferências para um taxista de Barra do Piraí (RJ) e para uma autônoma de Aquidauana (MS) — ambos igualmente assistidos pelo programa social do governo.
A G20 Bank não se manifestou.
Por: Ágatha Araújo
Foto: Creative Commons